Pai Joaquim de Aruanda: Da senzala à Aruanda
Sarve fios! hihi!
Nessa história nóis (Victoria e Pai Joaquim) não se cruza, mas foi a última encarnação desse nego.
Pois bem fia, 1766, sul da America do Norte, numas terras perto da divisa de Missouri com o Kansas, nego já nasceu na senzala dos hómi branco. Foi fio de mãe mandingueira junto com mais três irmão. Nóis pegava no trabáio desde muito jovem, pois os branco precisava justificar gasto com nóis criança. Nóis levava pra lá e pra cá os recado e as coisa que os branco pedia. Nego aprendeu a benzer as outras criança da Casa e da senzala com a mãe, os feitiço, as erva de cura, as música que cura o espírito e que alivia a dor do coração.
Esse nego era o irmão mais véio dos três e começou a pegar na enchada mais cedo que os outros. A função do nego era observar os mais velhos na plantação de café e aprender as manhas da planta pra saber cultivar e cuidar.
Esse nego sempre foi dos menos atentado dos irmão, então sempre levou pouca bronca e apanhou pouco de chicote.
Os irmão apanhava por coisa besta e não queriam aprender as coisa que a mãe tinha pra ensinar, então só esse nego herdou o conhecimento dos ancestrais.
Passava o dia carpindo terra nova e a noite ourvia a mãe ensinar.
Essa foi a vida por muitos anos fia, nego carpia a terra e as vezes até pegava no sono ourvindo a mãe, que não me acordava caso eu dormisse. Ela era a véia mandingueira e cozinheira da casa grande e sabia que nego tava cansado.
Teve um ano, devia ter uns quinze...dezesseis, anos já, que nego cortou a sola do pé uma pedra enquanto carpia e teve que ser carregado as pressa pra ser cuidado. A mãe cuidou dêu, os branco deram as erva e mantimento pra ela cuidar.
Nao podiam perder um escravo jovem e sardável né fia?!
O problema foi que a ferida ficou infeccionada com a sujeira das terra, e os branco não queria que nego ficasse mais tempo sem trabaiár. Mancando e pulando num pé só o nego foi levado pro tronco, as vezes caía no caminho e arrastavam eu caído mesmo. Levaram nego pra lá porque acharam que era corpo mole pra num trabaiá.
Fia, sei que pedi a Pai Orisalá e ao Senhor Jesus que levassem o nego pra não sentir mais a dor, mas não aconteceu. Então a cada chicotada o nego murmurava as palavra mágica de cura pra aliviar. Foram tantas que perdi as conta e desmaiei.
Fui acordar um dia depois no meio da noite, de bruço pras ferida respirar, e escutava minha mãe rezando e fazendo as mandinga dela em mim. A senzala toda rezou aquela noite. Caí no sono novamente.
Nego se recuperou depois de uns tempo, mesmo mancando com o pé sarando, e as costa ainda aberta dos chicote, foi colocado pra trabaiá as terra que carpiu pra plantá café.
Tinha observado os outros escravo fazê plantador e cuidar e já devia saber também.
Nego passou maior parte do tempo trabaiando sozinho naquele campo, os outros escravo ajudando o nego no café não falava as mesma língua e nego também não podia ser visto papiando pra não ir pro tronco de novo.
Os anos foram passando e nego começô a enxergá o trabáio duro de cuidar do café algo bonito, começava a ver as prantinha crescê e cuidar delas era algo que o nego gostava.
Nego via que a natureza era bonita e começava a agradecê pela oportunidade toda vez que ia pra plantação ver as cria dele, hihihihi.
Esse véio aprendeu a sentir as beleza do céu quente na pele escura e apreciar o queimar do sol.
Nego já tava nos seus vinte e tantos anos quando foi ver a primeira safra que plantou ser colhida e a alegria no peito era imensa. As cria do nego tinham florescido e entregado os fruto que era esperado pelos branco. Esse nego pegou um café pra si e guardou dentro do seu chapéu, bem escondido. O cheiro do descascar do grão torrado o nego veio a conhece um ano depois e se apaixonou mais ainda.
Fia, os anos foram passando com muita mansidão depois que o nego apanhou. Os branco dizia que se o nego colocasse a mão nas plantinha, elas crescia bonita e sardável, então deixavam o nego trabaia até que em paz.
O fio do Patrão que ja era homi feito assumiu o paper do pai que morreu de doença na Casa Grande e logo uns ano depois deve seus fio também.
Na quarta safra que nego viu crescer, o novo Patrão ja tava com dois fio, um menino mais novo e uma menina que nasceu primeiro.
Eta menina atentada fia, corria aquelas terra o dia todo e não cansava, nego oiáva ela corre pra lá e pra cá fazendo peripécia e dava risada sozinho.
Uma das vez que a fia do patrão correu nas plantação de café, deu de cara com o nego, trombou neu e caiu. Parecia que tinha visto os fantasma de susto. Nego viu que ela tava correndo vindo da casa, e tinha acabado de robá um pão fresquinho que a cozinheira tinha feito.
Nego ajurdo a fia do patrão a levantá e disse que num ia conta o segredo dela. Pegou o pão e saiu correndo plantação e rindo.
É o que dizem fia, a curiosidade matô o gato né? hihihhi Essa fia nao entendia o porque do nego tá na plantação, na verdade ela não sabia nem que tinha mais gente na fazenda. Achava que era só a familia da casa e não sabia como a comida era feita nem donde vinha.
Menina devia ter seus 6 - 7 anos.
Esse mesmo ano, minha mãe veio a falecer. Já tava muito veia e pegou o que seis chama de tuberculose. Nego ficou triste mas agradeceu tudo que a mãe tinha ensinado prêce nego.
Nos finar dos ano, a quarta safra já tinha produzido e nego estava muito feliz. Como de costume, pegô um graozinho pra si e guardou. Patrão novo ficou sabendo que onde o nego punha a mão as planta crescia e o costume se manteve de deixar o nego trabaiá sorto na plantação.
Nego tava trabaiando mais um monte de escravo na colheita dessa safra, porque tinha sido muito grande e boa. Então botaram mais escravo pra colhê os grão. Num dos dia de colheita, nego avistou a fia do Patrão oiando as planta também com a mesma expressão que o nego fazia quando elas cresciam bonito, e achou curioso a fia achar beleza onde os branco via moeda.
A quinta safra iniciou e o nego já tava com seus quarenta e tantos anos, quase cinquenta. Patrão tinha colocado mais três escravo pra ajudar na plantação e as criança nova da senzala pra aprender os jeitos do nego com o café.
O segredo fia, é que o nego murmurava as magia e os feitiço da mãe pras planta, assim elas cresceriam forte e bonita, e isso o nego não podia ensiná.
Esses rebento acompanharam esse véio por 2 anos da quinta safra e depois já foram colocado pra carpi, igual esse nego começou. Os outros escravo que tavam a mais ajudando na prantação foram espaiando pra cuidar da maior parte e de novo esse véio passava maior parte do dia sozinho, oiando os céus, as nuvem passá, as planta cresce.
Teve um dia que foi a alegria da vida desse véio, nego viu a menina da casa entrando no meio das planta pra entender elas, ver os graozinho começando a brotá em umas, em outras as florzinha no chão que crescia em vorta. Até que ela chegou no meio que o nego tava, e ficou oiando eu cuidar das plantinha.
Já tinha crescido um pouco e já não corria mais igual bicho sorto nas terra.
Sentava no chão de terra mesmo e ficava oiando, oiando, oiando, escutando o nego falar umas palavra estranha pras planta e não dava um piu.
Nos tempos que se seguiram a fia vinha todo dia ver o nego trabaiá e passou a imitar as palavra que o nego falava na direção das plantinha, e fazia carinho nas folha. Oiava com tanto carinho que as vezes o nego ate lembrava dos conto de Osùn que a mae contava, quando Osùn e Osòsi tiveram um rebento que amava as planta com as água.
As vezes a fia perguntava pro nego o que ele tava falando, as vezes já sabia pelo que sentia das planta, as vezes sentia o que era quando o nego murmurava.
Esse nego então, vendo que a fia do patrão tinha como guardá os segredo que a mãe tinha passado, comerço a ensina sobre os Orisá e como Orisalá abençoava o nego todo dia por trabaiá no céu aberto e no sol quente.
Essa fia atentada foi virando bicho disciplinado pra aprendê e mais curioso ainda, nunca queria que o sol fosse embora pra noite chegar, por que queria as benção de Orisalá. Até que o nego falou pra ela sobre a noite, pra ela observar quando fosse durmi, as estrela, a lua, e que as benção de Oyá viriam com o escurecer do ceu.
Nego ensinô muita coisa pra essa fia do patrão, muito das mandinga e os mito dos Orisá e do menino Jesus, que nego aprendeu com os outro escravo da senzala. Essa quinta safra veio ao fim e o nego disse pra fia não visitar o nego enquanto as planta não tivesse alta, não queria apanhá no tronco. A fia não entendeu mas fez o que o nego disse, mas por algum tempo só.
Os escravo começô a colhê os cafezal e em algum tempo os mais novo tava preparando as terra pra cê plantada de novo. Nego pegou aquele graozin de novo e guardou.
Nesses tempo que o nego nao passava nas plantação, ajudava o patrão nas coisa de saúde que aprendeu com a mãe, a benzê os rebento dele, tirá doença, cuida dos ferido, dos véio.
Chego o momento do nego ver a sexta safra começá e as planta começá a cresce de novo.
Pra infelicidade do nego, as coisa mudaram, o tempo ficou mais frio de repente e as planta daquela safra ia demorá mais que 5 anos pra dar os grão. A fia do patrao tinha espichado e ja tava quase na artura do nego, mas ainda era estabanada iguar.
As planta não tava nem na artura das coxa quando o comichão da fia foi demais e ela num guentô esperar e foi pra plantação. Esse nego continuou donde parou, mas falo pra menina num ir quando as planta tava baixa.
hihihi tenta falar que não pode pros fío de Osùmaré fia hihihihi
A menina foi pras plantação uns dia depois porque não se aguentava, então o nego falou pra ela sentar longe e observar. Nao entendeu, mas fez.
Num desses dia, passou atrás da menina o irmão mais novo, que agora já era grande e avistô a irmã sentada vendo o nego trabaiá.
Achando estranho, contô pro pai que a fia fazia isso e ficava vendo os escravo trabaiá.
Nego cuidou daquela safra com o amor que tinha dentro de si, lembrando os mito da mãe sobre a Mãe do mar, e se perguntô como que era o mar. O Nego só conhecia o rio da fazenda.
Os dias que seguiram, a fia do patrão não foi na plantação e nego respirô aliviado que ela obedeceu.
Passô mais argum tempo e as planta já tava arta o suficiente pra menina poder ir lá. Nego pensava que ia ensinar pra ela sobre a mãe do mar, pra ela podê conhece o mar quando fosse fora da fazenda.
Os dia foram passando e a fia não aparecia mais.
Nego pensava que devia ter virado muié e que a Sinhá devia tá ensinando essas coisa pra ela.
As lua foi passando e a fia do patrão não apareceu mais. Nego foi ficando triste, tinha acostumado vê aquela energia das criança na menina e a companhia que ela fazia.
Sentia farta de conversá com ela e de passa os ensinadô pra ela.
Passô mais umas lua e o nego começou a sentir que era a úrtima safra que ia ver brotá, tinha dentro do coração essa certeza, mas continuou com amor cuidando das plantinha.
Acostumô de novo que nos traibáio era só ele e os divino, pai dos céus, o pai das planta, das erva, das terra, das agua que dava força pras planta crescê.
Numa das noite antes de dormi, nego começo a enxerga os ser de luz do outro lado e viu a mãe. Pegô no sono e sonhô que a mãe levava ele pra ver o mar, ele tocava as areia branquinha branquinha, olhava pro céu e via pai Orisalá brilhando no sol.
Quando acordô, nego achou que tava perdendo os senso de vida, mas acreditou no que sentiu.
Continuô os trabaiador e umas lua antes da colheita viu a fia do patrão gritando com o pai e com a sinhá, dizendo que ia onde queria ir e queria que o pai explicasse o por que dos escravo trabaiá e eles não. Patrão botou a menina pra dentro e a sinhá lhe deu boas palmadas que fez a fia nunca mais duvidá das palavra do pai.
Nego ficou feliz de ver a fia mais crescida, mesmo de longe, mas nunca mais viu a fia do patrão.
Esse véio passou o resto dos dia colhendo a sexta safra, e semeando a sétima.
Sempre notava o quanto a presença da criança tinha feito a vida do véio feliz e como ter ensinado dos Orisá pra ela fez ele sentir mais amor pela vida.
Numas luas depois de cuidá que as plantinha tivesse crescendo baixo ainda da setima safra, esse nego foi dormir e não acordou mais.
Fez a passagem com a mãe esperando do outro lado, tinha virado preta véia, tinha uns caboclo das mata ciliar e uns mestre de pai Orisalá pra recebê o nego.
Esse nego foi recebido com o mesmo amor que deu pras plantinha e pra fia do patrão, e hoje trabáio nas força do pai dos céus mostrando o quanto amor as coisa que nóis faz acreditando nele, tendo fé, como brota e dá fruto.
Sarve fia, hihihih
Pai Joaquim de Aruanda



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